Na desembocadura da Lagoa dos Patos, dois quebra-mares protegem da ação das ondas e do assoreamento natural a barra do canal que dá acesso ao ambiente estuarino. Com exceção de Torres no extremo norte gaúcho, os molhes da barra de Rio Grande são as únicas estruturas rochosas de grande dimensão ao longo de toda costa gaúcha, e apresentam um papel fundamental na ecologia de diversas espécies, pois essas estruturas oferecem proteção e estrutura para fixação de comunidades, assim como possíveis tocas. Com construção inicial em 1911, os molhes leste e oeste possuem más de 4.000 metros.

Além da importância ecológica, os molhes também possuem importância econômica, tanto como fonte de recursos pesqueiros artesanais como para o turismo na região, com as tradicionais vagonetas movidas à vela, que levam os visitantes em um passeio ‘mar adentro’ através de trilhos de trem sobre a muralha de pedras.

Abordagem ecossistêmica

Nos últimos 20 anos, o equilíbrio entre as múltiplas diversidades, ambiental, econômico e social é um princípio apresentado em todos os níveis de discussão, inclusive em projetos de conservação de fauna ameaçada de extinção.

Nesse caso, projetos que buscam a conservação das tartarugas marinhas não devem desassociar sua relação com o ambiente e sua diversidade ecológica, a sociedade e economia que a entornam, buscando o equilíbrio entre os organismos vivos, o ambiente físico, a sociedade e a economia local. Este é o princípio do manejo baseado no ecossistema (EBM).

O EBM é uma abordagem integrada de manejo que considera o ecossistema como um todo, incluindo os humanos. O objetivo do EBM é manter o ecossistema em condições saudáveis, produtivas e resilientes, para que dessa forma possa prover serviços humanos necessários e imprescindíveis. Um dos princípios do EBM é o fomento à pesquisa como caminho à quantificação dessas relações. Entretanto, a pesquisa somente apoiará à conservação quando seus resultados forem compartilhados com todos os envolvidos nessas relações, governantes, organizações do segundo setor, comunidade local e comunidade científica, porque cada um em sua escala são tomadores de decisão. Dessa forma fazem se presente os três pilares do Caminho Marinho – pesquisa, extensão e ensino.